Publicado en línea el Viernes 11 de septiembre de 2020, por Correio24horas

A combinação mais comum na mesa dos brasileiros, arroz e feijão, está à beira de um divórcio. O rompimento, constatam os consumidores, é culpa do arroz, que aumentou 9,05% apenas no mês de agosto aqui na Bahia – a alta anual (janeiro a agosto) é de 22,5%, segundo a última pesquisa sobre a variação do custo da cesta básica feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Se antes o valor do arroz nas prateleiras era, em média, R$ 2,50/kg, agora os baianos têm de desembolsar entre R$ 3,69 e R$ 6,00 pela mesma quantidade. Se for integral, piorou: o CORREIO encontrou pacote de R$ 7,98/kg em um supermercado da Pituba. O aumento do cereal também foi visto em outras 15 das 17 capitais do Brasil analisadas pelo Dieese.

Decepcionados, consumidores começam a incentivar que feijão e macarrão se conheçam melhor. Inclusive, já foi encomendada uma campanha publicitária para que o grão case-se com a massa italiana, conforme declarou o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Sanzovo Neto, ao sair, na quarta (9/9) de uma reunião com o presidente da República Jair Bolsonaro em Brasília. Bolsonaro convocou Sanzovo Neto pois, preocupado, quer entender o que está se passando com o arroz.

Uma dessas consumidoras é a dona de casa Araci Gonçalves. “Não como nada sem arroz e continuo comprando. Mas depois que teve essa subida de preço, estou começando a substituir pelo macarrão, porque tá mais acessível”, admitiu. Já funcionária pública aposentada Ângela Araújo preferiu nem colocar o produto no carrinho de compras. “Não comprei por causa do preço e ainda tenho um pouco em casa. Vou esperar uma semana para ver se baixa”, explicou, ainda esperançosa na reconciliação

Tânia Maria, também aposentada, relata ter ficado “pasma” com o aumento do valor. Ela estava no mercado comprando alimentos para doar uma cesta básica à comunidade onde mora. “Como é que pode aumentar tanto sem o salário mínimo aumentar e o auxílio do governo diminuir? Fica difícil.”, reclamou. Por outro lado, há quem nem tenha notado o climão, “Senti aumento do queijo, da carne, mas não do arroz”, pontuou o administrador Ralf Macêdo.

E é difícil mesmo notar que feijão e arroz podem não dividir mais a mesma gôndola ou corredor do supermercado. O estudo do Dieese mostra crescimento nos preços de outros seis alimentos no mês passado: banana (18,87%), leite e óleo (10,21%), carne bovina (7,40%), pão francês (9,78%), café (2,31%) e manteiga (0,26%). Por conta desses principais vilões, Salvador foi a capital brasileira onde a cesta básica mais subiu este ano, alta de 16,15% acumulada em 8 meses. O administrador Ralf Macêdo não sentiu o aumento do preço do arroz, mas de outros produtos Foto: Marcela Villar/CORREIO)

Motivos e perspectivas

A alta do arroz é explicada principalmente pela alta do dólar em relação ao real, que fez com que os produtores brasileiros vissem a oportunidade de exportar mais o produto. “O Brasil tem exportado mais, está mais vantajoso para o produtor brasileiro, e isso tem afetado a oferta interna”, explica a supervisora técnica do escritório do Dieese na Bahia, Ana Georgina Dias. Ela esclarece ainda que o governo já não tem mais estoque para regular o preço no país por conta da pandemia. “O governo adquiria uma parte da safra dos produtos ligados à cesta básica e, no momento que estavam mais escassos, eles colocavam estoques reguladores. Mas hoje isso não existe mais”.

Para controlar as escapulidas de preços do arroz, o governo federal zerou, anteontem (9/9), a tarifa de importação do arroz – que era de 12% – até 31 de dezembro de 2020. A ideia é reabastecer o mercado interno e assim deixar o valor do cereal mais próximo do custo do feijão, forçando uma reaproximação do casal preferido das mesas brasileiras. O efeito, no entanto, não será imediato, segundo Ana Georgina, até por conta do alto valor de câmbio em dólar.

O vendedor de cereais Roberto Ventura viu que o preço iria subir e resolveu fazer o próprio estoque na loja, que fica na feira de São Joaquim. Com isso, ele só aumentou R$ 0,50 o quilo do produto. “ A gente estocou 1 tonelada de arroz antes da pandemia, antes da inflação. Por mais que o preço esteja tabelado no mercado, a gente conseguiu sugerir um preço justo para o cliente”, disse. Ventura, que vende o quilo de arroz por R$ 3.

O produtor Maurício Mondo, presidente da Associação Catarinense dos Produtores de Sementes de Arroz (ACPSA), explicou que a produção nacional deste ano não mudou. Por ano, o Brasil produz de 11 a 12 milhões de toneladas de arroz e consome cerca de 10 a 11 milhões de toneladas do grão. “A produção foi normal e essa situação de aumento de preço é por uma conjuntura. Fizemos bastante exportação no primeiro semestre, o fator dólar impediu a importação de produtos de outros países e o consumo interno aumentou”, explicou.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), o abastecimento de arroz na Bahia vem de estados do Sul do país, como Santa Catarina.

8 alimentos que mais aumentaram de preço na Bahia em agosto: Arroz 9,05% Banana 18,87% Leite integral 10,21% Óleo de soja 10,21% Pão francês 9,78% Carne bovina 7,40% Café em pó 2,31% Manteiga 0,26% Fonte: Dieese

Aumento anual: Arroz 22,5% Banana 22,28% Leite 15,85% Feijão 12,85% Óleo de soja 23,38% Carne bovina 18,97% Pão francês 8,35% Café -8,10% Manteiga -0,65% Fonte: Dieese

Preço do arroz tipo 1 (saco de 30kg) de acordo com tabela do Ceasa – Fonte: SDE/GOVBA 9 de setembro 2020 – R$ 130,00 02 de setembro 2020 – R$ 110,00 a 120,00 03 de agosto 2020 – R$ 100,00 01 de julho 2020 – R$ 100,00 01 junho de 2020 – R$ 95,00 04 de maio de 2020 – R$ 85,00 a 90,00 01 de abril de 2020 – R$ 85,00 02 de março 2020 – R$ 80,00 3 de fevereiro – R$ 75,00 a 78,00

Fonte: Correio24horas

The post Divórcio na mesa: preço do arroz aumenta 9,05% em agosto e pode se separar do feijão appeared first on Adital .


[ Imprimir este artículo ] [ Enviar a un amigo ] [ Ir a la cabecera ]
 

 
 

   APPS

   ASIA

   DEMOCRACIA

   DERECHOS HUMANOS

   DESARROLLO/GLOBALIZACIÓN

   DIÁLOGO NORTE-SUR

   ECOLOGÍA VS ECONOMÍA

   ENLACES - LINKS

   ESTADÍSTICAS

   EUROPA

   LATINOAMÉRICA

   OLVIDADOS POR LA HISTORIA

   SOLIDARIDAD

   TRIBUNA LIBRE



LISTA DE CORREO


�Desea participar al enrequecimiento de esta p�gina?

�Quiere denunciar alguna situaci�n?

Env�enos su art�culo a esta direcci�n de correo electr�nico:

   webmaster@respublicae.org

[ Mapa del sitio ] [ Ir a la cabecera ]

 


 
En la misma sección

Leer otros artículos :
Arabia Saudí: La censura de Netflix es la última demostración de la represión de la libertad de expresión
02/06/16 - Sintralaydo listo para negociar primer convenio con Frito Lay Dominicana
L’épreuve de force, par Thierry Meyssan
23/03/16 - La muerte de Cristo da sentido a nuestra vida (parte 1)
12/05/16 - La islamofobia es una herramienta política
Discours d’Emmanuel Macron devant la 72e Assemblée générale des Nations Unies, par Emmanuel Macron
Serbia:Amnistía Internacional e ILGA-Europa apoyan los actos del Orgullo Gay 2012 en Belgrado
Israel y Territorios Palestinos Ocupados: El impacto de un cohete en una vivienda familiar no debe dar lugar a más “ataques ilegítimos”
Lettre au président libanais, plus pathétique que jamais …, par André Chamy
30/05/16 - Latinoamérica: La crisis de los gobiernos ’progresistas’

EN LA RED :
Campagne médiatique antichinoise organisée par l’Australie
Londres a organisé des attaques contre Moscou (Lord Sedwill)
Qu’est-ce qui intéresse les Russes dans la guerre du Haut-Karabagh ?, par Valentin Vasilescu
Covid : un couvre-feu pour quoi faire ?, par Thierry Meyssan
Selon Washington, c’est l’Azerbaïdajan qui ne respecte pas le cessez-le-feu
Ilham Aliyev : « Il n’y aura pas de référendum [au Karabagh], jamais ! »
L’Arménie et l’Azerbaïdjan sont les perdants et les États-Unis les grands gagnants, par Valentin Vasilescu
Karabagh : la Grèce, la Russie et la Turquie se préparent à entrer en guerre

[ Ir a la cabecera ]
 

Portada En breve Mapa del sitio Redacci�n


Respublicae.Org es un portal abierto que se nutre de los trabajos de muchos colaboradores ben�volos externos, de diferentes origen e ideolog�a. Por lo tanto, los administradores de este portal no se hacen responsables de las opiniones vertidas en los art�culos que aqu� se publican.
Copyright © RESPUBLICAE.ORG 2003-2007
Sitio web desarrollado con SPIP, un programa Open Source escrito en PHP bajo licencia GNU/GPL.
Dise�o © Drop Zone City & Respublicae.Org